20 noviembre, 2009

Vuelos de la Muerte


Sobre el Plata, sobre el Riachuelo, sobre el Atlántico. No tiene lástima la muerte, tampoco los verdugos. La alta iglesia aplaude el cristiano método empleado. Un sencillo viaje sin destino, dicen. Abajo espera el agua fría de la noche, dura como hormigón, a los cuerpos ya extenuados de tortura. Pero vivos. Caen desnudos, atados, ensangrentados, mutilados, quizá gritando, quizá callando. Fueron estudiantes, periodistas, obreros, escritores, artistas, monjas, madres y abuelas de una plaza y de un país. Ahora simple trozo de carne a punto explotar. Los generales, los policías, los diarios que diariamente publican nada, los apoyadores u omisos internacionales: que se vayan y no vuelvan. Que no existan.

17 noviembre, 2009

Coisas

casas sem asas
livros sem marquise
ruas sem tamanduás
pregos sem babados
coisas perfeitamente possíveis.

11 noviembre, 2009

Un verso verde
de campo, y azul
de cielo
la laguna y la ruta
agua y polvo
la lejanía pura
de pájaros
la nube
el pasto
la bosta
el barro
llenos de luz
y en el monte
el sudor, la fricción
sagrada salada fiesta
a solas.

09 noviembre, 2009

são claras
as noites nubladas
e as estreladas

06 noviembre, 2009

Estiu

Em sembla tan plena de vida la ciutat quan hi ha brisa i el soroll del mar és fort. M'agrada veure com passen bicis turistes llengües immigrants i a la llunyania els lents vaixells que potser envegen l'ombra de la rambla o admiren serens com fidels a l'alta muntanya que s'amaga darrere meu. Sobre aquesta taula hi ha una ampolla buida, però jo continuo ple de tot això.

05 noviembre, 2009

Así,

solo como Dios, dolido como un cáncer: te pienso y pensando siento que te quise como quiero a los horizontes de mi patria. te usé como se usan a las metáforas y a las herramientas. estuve contento y jodido, no sangré pero bebí. caminé mareado y tonto por las calles, hechizado por tu olor y por el humo de mi ciudad. creció la quimera y el suspiro, derrumbé la muralla protectora que de nada me protegía. construí la utopía que en ti veía.

04 noviembre, 2009

chove forte
a chuva de primavera
chuva de jacarandás

28 octubre, 2009

Cosas que suceden

No sé si les habrá pasado a ustedes pero a veces son las once y tas metido en un campera de lana y también por supuesto en una noche de invierno y es viernes y caminás solo por alguna vereda y a vos te acompaña nomás el pampero y miles de hojas libertas y por tanto muertas. Cuando te das cuenta cruzaste media ciudad y en un departamento ni viejo ni nuevo te esperan con vino y charla y rocanrrol y el anfitrión te abre la puerta y te larga una broma sobre las gurisas que ya llegaron y qué preciosas, che, y no podés hacer nada además de estar de acuerdo porque ya pasaste el umbral y bajo la luz roja se diseñan bocas y gestos de tanta gracia y es así que ni te cuento.

26 octubre, 2009

"Alzá la frente y dejá que el sol te pegue la cara"

No llevaré una careta
pero quizá un escudo
o un filtro protector

que es para ver
todo clarito
como el agua

y menos triste
como un viernes
o un viaje

es que no siempre
están los azahares
y la risa larga

y no siempre
tengo ánimo
para animarme

cuando lo mejor
es horrible
no somos nada

pero hay que mirar
al cielo sin Dios
y comer el viento

tocar la herida
y decir que somos
más grandes que la pena

y escribir un poema
sin solución / sin fin
como todo.

21 octubre, 2009

Diálogo de ruptura

Para ler a duas vozes,
impossivelmente por suposto.

- Não é tanto que já não saibamos
- Mas por acaso procuramos por isso desde o dia em que
- Talvez não, e no entanto cada manhã que
- Puro engano, chega o momento em que a gente se vê como
- Quem sabe, eu ainda
- Não basta querer, se além do mais não há prova de
- Tu vê, de nada vale essa segurança que
- Certo, agora cada um exige uma evidência frente a
- Como se beijar-se fosse assim um termo, como se olhar-se fosse
- Debaixo da roupa não espera mais essa pele que
- Não é o pior, penso às vezes; tem outra coisa, as palavras quando
- Ou o silêncio, que então valia como
- Só sabíamos abrir a janela
- E essa maneira de virar o travesseiro procurando
- Como uma linguagem de perfumes úmidos que
- Tu gritava e gritava enquanto eu
- Caíamos numa mesma cega avalanche até
- Eu esperava escutar isso que sempre
- E brincar de dormir entre nós de lençóis e às vezes
- Se haveremos insultado entre carícias o despertador que
- Mas era doce levantar-se e competir pela
- E o primeiro, encharcado, dono da toalha seca
- O café e as torradas, a lista de compras, e isso
- Tudo continua a mesma coisa, se diria que
- Exatamente igual, só que em vez de
- Como querer contar um sonho que depois de
- Passar o lápis sobre uma silhueta, repetir de memória algo tão
- Sabendo ao mesmo tempo como
- Ah sim, mas esperando quase um encontro com
- Um pouco mais de marmelada e de
- Obrigado, não tenho

Julio Cortázar
tradução: Felipe Martini


20 octubre, 2009

noite sem luz
só me ilumina o olhar
que não está

14 octubre, 2009

Cortázar

Puta

Na mitologia romana, Puta é a deusa menor da agricultura.

Segundo uma das versões, a etimologia do seu nome vem do latim e seu significado literal é poda. As festas em honra a esta deusa celebravam a poda das árvores e, durante estes dias, as sacerdotisas manifestavam-se exercendo um bacanal sagrado (prostituíam-se) honrando a deusa (o que explicaria o significado corrente da palavra em muitos países de fala latina).
fonte: wikipedia.

09 octubre, 2009

não emtre
cem ser
convidado
sujeito
a
ser ???
LANHADO

06 octubre, 2009

Procedimentos para uma noite sem luz.

Quando das alturas caírem sem cessar espessas gotas d’água, quando se romperem frágeis os compridos fios de alta tensão, quando a cidade for território tomado por poças e folhas, e quando curvarem-se ventosas as árvores sob o imenso céu nublado e cortado de elétricas veias azuis; nesses momentos é imprescindível a toma de certa medidas como:

Abrir escandalosamente uma a uma e por completo todas as janelas da casa, e em seguida contemplar a noite invadindo de imediato todos os rincões de todos os cômodos, assim como a pálida cobertura de luz noturna dando góticos contornos de temporal a cada objeto e só então, se for o caso, pode-se cogitar o acendimento de alguma vela disponível, mas só se for o caso.

É também conveniente a existência de algumas garrafas de cerveja ainda gelada no refrigerador, e quem sabe algo passivo de ser fumado, além de, é claro, alguma humilde almofada ou colchão ou divã ou tapete onde recostar-se com fins contemplativos e de repouso.

Cabe lembrar que em momentos como esse é razoável a presença de um violão e de alguns dedos hábeis e aptos a velhas canções com cheiro de terra e se pedir muito não for, a voz de alguns amigos, que grande valia têm em situações como a mencionada.

Porém, é claro que se tratando de longas noites sem eletricidade o que não pode mesmo faltar, e isso muitos já disseram, é o corpo morno e se possível desnudo de certa senhorita, em perfeito encaixe ao meu corpo morno e quiçá também desnudo, ou talvez, em uma hipótese não tão otimista, que haja pelo menos a imaginação de tal cena e a viva lembrança de dito corpo morno e desnudo da tal moça.

Claro, numa noite sem luz.

04 octubre, 2009

Drume, Negrita


Si me voy antes que vos

si te dejo en estas tierras
no te asustes de la noche
que en la noche vivo yo

Si me voy antes que vos
si es así que está dispuesto
quiero que tus noticias
hablen del aire y del sol

Jaime Roos.

29 septiembre, 2009

Ellos

me hacen gracia los chinos
casi todos que encuentro
como salidos de un desfile de moda
y además la pinta de inocencia
y el misterio que llevan
de una lengua infinita de secretos
de ojos cerraditos de astucia
y de una calma bárbara
frente al mundo
que será de ellos.

25 septiembre, 2009

diabólico ser rojas uñas pelo color madera piel tan apta al sol, enorme criatura largos firmes muslos blandas tibias arestas, ciento setenta centímetros de la más sucia y amplia hermosura y una asquerosa irresistible sonrisa puesta en aquella cara de negros ojos de brillo maleva. puro hechizo que no llego a rozar

24 septiembre, 2009

Fue

Respeto y quiero a los boletos, a los silencios, a las mil ciudades, a los cuantos idiomas, a las llegadas, a las partidas, a los sollozos, a la añoranza, a los planes, a la carpa en la arena, a las playas, a los vientos de frío y de calor, a las almohadas mojadas, a las sábanas mojadas, al Liffey que huele y sube y baja y nosotros, a los pinos, a las artesanías de los empecinados kaingangs, a las cartas, a las fotos, a los tragos largos, a los meses, al océano, a algunos equívocos, a un paseo por O'Connell Street y al hambre y a los pies cansados. Y a otras cosas que me callo, obvio.

Próprio

não gosto de poemas
que falam
de poemas

tudo que é metalgumacoisa
eventualmente
me cansa

poemas devem render homenagem
à vida
e não a poemas

mas escrever sobre eles
sabemos
é inevitável.

23 septiembre, 2009

Inveja

Ingrata tarde
e não é que chova
ou que alguma angústia
me cutuque o pensamento
ou que eu tenha a obsessão
de alguma urgência

mas são cinco e meia
e a primavera me diz - oi -
e as árvores se pintam
se pintam de dourado
e um ventito me acaricia a pele
e gurias suadas caminham no parque
e cachorros abanam
alegres
suas colitas

e todos saem do trabalho
mas eu
acabei de chegar
ao meu.

22 septiembre, 2009

Pregunta

¿que serás?
¿unos cuantos poemas
una pena
y un olvido?

¿estarás
como tantas
por un ratito
y ya no?

¿o estarás conmigo
seguirás conmigo
trabajarás conmigo
gozarás conmigo
sufrirás conmigo
vivirás conmigo
y hasta que siempre?

21 septiembre, 2009

reverencia o azul
do céu profundo
a araucária

20 septiembre, 2009

Patria sola y Patria

19 septiembre, 2009

Sem poesia

não pretendo gastar teu nome
com os óbvios trocadilhos
que ele permite

nem quero tanto um poema
inteligente e sensível

prefiro eu na porta dum bar
ou dum cinema
ou da tua casa
ou parado em qualquer esquina

e então quero ouvir tua voz
perguntando
"tá tudo bem?"
não por hábito
mas pra saber se tá tudo bem

e com alguma bobagem
por mim
pronunciada
eu veria nascer
no canto da tua boca
um risinho sincero.
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