09 junio, 2009

Quase ficção

Faz mais de mês que vem, olha, espera, pergunta, depois se vai. Só. No gris da Assis Brasil, toda tarde, há mais de mês. Esta cidade tem tempo pra dor, pro olvido, pra loucura? Faz mais de mês que ele vem, toda tarde, perfumado, bem vestido. Cumprimenta todos, pergunta por ela. Faz mais de mês, todo dia. Dizem que ela não tá, que não vai tar. E ele fica, das 5 às 6, toda tarde. Ele com a paixão do recém-casado, com a saudade absurda, toda tarde. Esperando. Faz mais de mês, mais de mês que ela morreu. Mas todo dia ele busca ela no trabalho.

08 junio, 2009

Se eu fosse dado
a certas metáforas
diria que ela é doce
como laranja-do-céu

diria: que bela
aquela pele cor-canela!

ou num suspiro: como é quente
aquele beijo de mate...

e talvez dissesse
que qualquer seu-abraço
me aquece mais
que quentão junino

tem sido ela minha carne
pimenta açúcar sal dos dias

eu, cozinhado em banho-marina

(desculpa por tanta comida
ando com fome
dela)

25 mayo, 2009

a carne é fraca
e o coração
não?

18 mayo, 2009

Agora

na bandeira do meu país - território insólito localizado entre meus sonhos e minha razão - há nomes, poetas, línguas, invernos, verões, equinócios, abraços, amigos, nostalgias, olvidos... é americano o sangue que em mim pulsa, é sul o vento que me despenteia, é índio meu rosto branco! no silêncio dos avós, no ruído dos netos e nos tremores das amantes vive meu destino - há sobrados arruinados e a feiura dos pretensos arranha-céus, mas o orgulho não se perde, nem a história, nem o pago.

17 mayo, 2009

Se fue Mario.

"en estos casos es bravo decir algo que realmente no sobre..."

30 abril, 2009

qué bonito sería tu ser

si yo lo supiera leer

28 abril, 2009

la ciudad que conozco de verdad

o abril fotografado é o porto-alegrense, e o fotógrafo, sou eu.

21 abril, 2009

Vencemos

soprou do sul o vento, filho do gelo, do pólo escuro, atravessador das planícies e das noites! veio despacito, cruzou o pampa, entrou sorrateiro pela banda oriental: - mais uma invasão! abre os armários, suaviza as cores, que alegria me traz! quando sopra o vento frio, não é só o inverno que se anuncia, é também a proclamação anual da república rio-grandense.

06 abril, 2009

yendo a la escuela
charlando con los viejos
jugando con los niños
recorriendo campos
escribiendo poemas
cantando canciones
bañándose, en pelota:
ahí está mi patria.

Segunda-feira 2009 9 de fevereiro

Disputa forte folia faça
sul região construir crise
mercado portas tucanos motivação
grande Uruguai Capital
tabelionato e agora gaúcha apresentado
Clima Kleinübing citizen energia
protestos esporte brilho páscoa

02 abril, 2009

me va la vida en ello
me va la vida en ella
y en esto, y en aquello
me va la vida: aquella

31 marzo, 2009

Me gustas cuando callas porque estás como ausente


Neruda,
por Mercedes.

30 marzo, 2009

Mañana

Escapo de la cama sin ruido, recorro la inmensidad oscura de mi cuarto, toco las paredes, me ubico, salgo. Abro la ducha. Tibio chorro, pelo mojado, cuerpo mojado. El agua quita los trocitos de noche que quedan en mis ojos. El jabón: simple excusa para estar más tiempo en el líquido masaje que cae de arriba. Miro por la ventanilla, un pedazo de cielo, otro de calle. El otoño. Y siento el cuerpo: no el mío, el otro. Es abrazo de piel sumado al abrazo del agua. El beso en el cuello, la mejilla en la mía, la mano agitada, el pelo largo en mi espalda. Rudo compás, dulce cansacio.

28 marzo, 2009

me falta aquele poema
e principalmente
o motivo para tê-lo

23 marzo, 2009

Melancolia,

prima da tristeza, que recheia as horas que não devem mesmo ser alegres.

19 marzo, 2009

Real EscalaThrill

O outono veraneando
tons de pele, dois
as texturas e as quenturas
um par de dúvidas
aquela inquietação!,
e gana.
mais loucura, muito mais
que sem ela
só louco aguenta.

Tenta ver o Quixote na Redenção
ou o Tiaraju mateando em Viamão
ata uma trança negra no meu cabelo
e muda o curso desse rio.
recoloca os punks de bombacha
na Osvaldo Aranha.

Y mirá qué lindo, qué loco sería
eu, tu e o Simões
bailando cumbia em Rosário.
nós - com a preguiça dum cusco ao sol
- há trinta horas na tua cama

Olha só as dunas de Cidreira
invadindo o Laranjal em agosto!
ah, me encantaría verlo
sobretodo si cantado por Gardel.

17 marzo, 2009

HERMANA DUDA,

ojalá que tú sigas teniéndome a tiro.
adeus, verão.
e sê bem-vinda,
nova estação!

16 marzo, 2009

à bruma
fumava
nu
no quarto
de cor
azul

07 marzo, 2009

Segredos de Infância


O meu Porto Alegre começa no fim dos planos de urbanização, com o imprevisto das vielas, o desaprumo dos muros limosos, um beiral emplumado de macega e os velhos nomes que placas não conseguem abafar... A mim, fantasma do velho Coruja, desmanchemos o presente! Desmantelemos com método o cimento armado, misturemos todos os traçados e plantas e posturas, pra ver como fica. Debaixo deste arranha-céu passa o Beco do Fanha, com as águas ocultas de saudade. Reponha-se o quiosque no devido lugar, atrelem-se de novo ao bonde os burros sem futuro, mas principalmente replantem uma a uma as árvores. Aquelas árvores que pareciam eternas na Praça da Harmonia. Aquelas árvores que pareciam eternas na Praça da Harmonia, de tão profundas raízes nos sonhos. Prezado Coruja, patrono dos saudosistas, não devemos ter a menor contemplação com esta cidade nova que brotou sobre a outra, apagando a marca dos nossos passos.

Augusto Meyer.

29 diciembre, 2008

tempestá amiga
vení a temblar mi vida
nubes negras, viento fuerte
lluvia gruesa
lavame, llevame, tempestá
golpeá el hormigón d'esta ciudá
o tumbale con un rayo
aquel árbol del campo
cambiá todo, tempestá

04 noviembre, 2008

num canto da áfrica
ou da américa latina
ou era da europa?
há tanta vida
tanta vida torta
tanta sangre
sangre derramada
hay tanto llanto

sonho chegar
em cada veia
entender só
um pouco
de lo que pasa
e do que
não passa
nunca

28 octubre, 2008

Charles Bukowski

(...)there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too clever, I only let him out
at night sometimes
when everybody's asleep.
I say, I know that you're there,
so don't be
sad.
then I put him back,
but he's singing a little
in there, I haven't quite let him
die
and we sleep together like
that
with our
secret pact
and it's nice enough to
make a man
weep, but I don't
weep, do
you?


(...)há um pássaro azul no meu coração que
quer sair
mas eu sou muito inteligente, só o deixo sair
às vezes à noite
enquanto todo mundo dorme.
Eu digo, sei que tu tá aí,
então não fica
triste.
daí o guardo de volta,
mas ele fica cantando um pouco
lá dentro, eu não o deixei morrer
por completo
e nós dormimos juntos
assim
com nosso
pacto secreto
e é bom o bastante pra
fazer um homem
chorar, mas eu não
choro, tu
sim?

27 octubre, 2008

i feel so close
that hugs
winds and words
every single time
i look through
the far fair city
image


26 octubre, 2008

No Gueto de Varsóvia
faziam amor
despreocupados?
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